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  • Dra Alyne G Borges Corrêa

Ambliopia, um mal silencioso

O desenvolvimento da visão não está completo nos primeiros anos de vida. O cérebro “aprende” a enxergar desde o nascimento até por volta dos 9 anos de idade, variando de criança para criança a idade exata em que esse evento se completa. Os dois primeiros anos de vida são os mais críticos e mais importantes para o desenvolvimento visual.


Os dois primeiros anos de vida são os mais importantes para o desenvolvimento visual

É fundamental que os estímulos visuais e luminosos cheguem adequadamente à retina das crianças e de lá sejam enviados ao seu cérebro (córtex visual). Quando, por algum motivo, esse estímulo não chega de forma adequada, o desenvolvimento visual fica comprometido, e se instala o quadro de Ambliopia (conhecido como “olho preguiçoso”).


A principal causa de Ambliopia é o Estrabismo. Um dos olhos fixa a imagem e o outro encontra-se desviado para a imagem que a criança não enxerga (mecanismo de bloqueio que o próprio cérebro desenvolve para que a criança não enxergue em duplicidade). Quando nesses casos de estrabismo a criança consegue alternar a fixação, ou seja, ora desvia um olho, ora desvia o outro, ambos os olhos receberão imagens nítidas, prevenindo a Ambliopia.


A segunda maior causa de Ambliopia é a Anisometropia (quando ocorre uma grande diferença de grau entre um olho e o outro). Na Anisometropia o cérebro começa a dar preferência para um dos olhos em relação ao outro, é como se ele preferisse enxergar com o olho que não tem grau ou tem menor grau, mas dessa forma acaba por bloquear o desenvolvimento da visão do olho com visão borrada. Nesses casos, na maioria das vezes a criança não apresentam sintomas, pois com um dos olhos ela consegue realizar normalmente todas as suas atividades. Como o diagnóstico só é feito através de um exame oftalmológico de rotina, é extremamente importante uma avaliação oftalmológica já nos primeiros anos de vida.


A Ambliopia também pode ser causada por Alto Erro de Refração Bilateral (grau elevado nos dois olhos), o que prejudica a maturação visual nos dois olhos devido à imagem borrada que chega bilateralmente.


Outra causa importante de Ambliopia é a Privação Visual, e ocorre por alterações congênitas ou adquiridas nos primeiros anos de vida, como a Catarata Congênita (opacidade do cristalino), o Leucoma (opacidade da córnea), a Ptose Palpebral grave, o Hemangioma Palpebral. Esses casos devem ser diagnosticados o quanto antes e tratados imediatamente. Podem estar relacionados com outras doenças, e por isso o exame oftalmológico do recém nascido merece uma atenção especial, não só para o diagnóstico de eventuais anomalias oculares, mas também porque permite diagnosticar diversas patologias sistêmicas com repercussão ocular.


Crianças com parente em primeiro grau com Ambliopia, prematuras ou pequenas para a idade gestacional têm incidência quatro vezes maior de Ambliopia.


O tratamento da Ambliopia é de fundamental importância e deve ser realizado dentro da fase de desenvolvimento, sendo que maior sucesso é obtido quando iniciado nos dois primeiros anos de vida. O tratamento consiste em eliminar a causa: prescrição dos óculos (Anisometropia e Altos Erros de Refração), cirurgia quando houver indicação (Estrabismo e Privação Visual) e estimular o olho amblíope, através da oclusão do olho não amblíope, o que na prática não é tão simples devido a vários fatores envolvidos como a colaboração da criança e aderência ao tratamento. Em alguns casos específicos, é possível fazer a penalização do olho bom através do uso de medicamento, sendo o mais usado o colírio de Atropina, que acaba sendo uma alternativa para os casos em que há muita resistência ao tratamento com o tampão, ou através de determinados jogos eletrônicos.

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